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Neurociências
A disciplina de Neurociências constitui uma unidade curricular de caráter introdutório, estruturada para dotar formandos sem especialização científica prévia de bases sólidas sobre a relação entre a biologia do cérebro e a cognição e comportamento humanos. O objetivo primordial desta disciplina é promover a literacia em neurociências, dotando os alunos de competências teóricas e práticas fundamentadas na evidência científica. Pretende-se capacitar os formandos para a compreensão do seu próprio funcionamento, para a implementação ativa de estratégias de promoção da saúde cognitiva, e para o exercício de uma reflexão crítica face à emergência das novas neurotecnologias e aos desafios futuros da mente humana.
NÍVEL ÚNICO
Conteúdos programáticos:
1.º Trimestre – Fundamentos de Neurociências
Introdução às Neurociências e evolução histórica do estudo do cérebro
Relação cérebro–mente–comportamento e principais subáreas das neurociências
Organização do sistema nervoso: central e periférico
Neuroanatomia e neurofisiologia básicas (neurónios, glia, sinapses e neurotransmissão)
Neuroquímica e psicofarmacologia (principais neurotransmissores e mecanismos de ação)
Bases da função neural: potencial de ação e comunicação sináptica
Estrutura funcional do cérebro (encéfalo, medula, substância cinzenta e branca)
Métodos de investigação em neurociências:
Lesões e neuropsicologia clássica
Neuroimagem estrutural e funcional (TAC, MRI, fMRI, PET)
EEG e potenciais evocados
Neuromodulação (TMS)
Método científico e paradigmas experimentais em neurociências
2.º Trimestre – O Funcionamento da Mente Humana
Atenção e perceção: processos sensoriais e redes atencionais
Motivação e emoção: bases neurobiológicas e sistema límbico
Neurobiologia da recompensa, medo e aversão
Memória e aprendizagem: sistemas de memória e consolidação
Neuroplasticidade e mecanismos de aprendizagem (LTP e Lei de Hebb)
Funções executivas e controlo cognitivo (lobo frontal)
Tomada de decisão e regulação emocional
Cognição social: empatia, teoria da mente e redes cerebrais sociais
Integração das redes cerebrais na construção do “self” e do comportamento social
3.º Trimestre – O Cérebro no Tempo: Envelhecimento, Tecnologia e Futuro
Envelhecimento cerebral: alterações cognitivas e estruturais
Envelhecimento normal vs. patologias neurodegenerativas (demências, Parkinson, delirium)
Saúde cognitiva e reserva cognitiva
Estimulação e treino cognitivo na manutenção da autonomia
Avaliação neuropsicológica no envelhecimento
Instrumentos de rastreio e avaliação cognitiva
Neurotecnologias: aplicações clínicas e de consumo
Desafios éticos e neurodireitos
Inteligência humana vs. inteligência artificial
Limites, riscos e impacto da IA generativa
Bibliografia
1.º Trimestre – Fundamentos de Neurociências
Cajal, S. R. (1995). Histology of the nervous system of man and vertebrates (N. Swanson & L. W. Swanson, Trans.). Oxford University Press. (Trabalho original publicado em 1909–1911)
Finger, S. (1994). Origins of neuroscience: A history of explorations into brain function. Oxford University Press.
Kandel, E. R., Schwartz, J. H., Jessell, T. M., Siegelbaum, S. A., & Hudspeth, A. J. (2013). Principles of neural science (5th ed.). McGraw-Hill.
Luck, S. J. (2014). An introduction to the event-related potential technique (2nd ed.). MIT Press.
MacMillan, M. (2000). An odd kind of fame: Stories of Phineas Gage. MIT Press.
Raichle, M. E., & Mintun, M. A. (2006). Brain work and brain imaging. Annual Review of Neuroscience, 29(1), 449–476. https://doi.org/10.1146/annurev.neuro.29.051605.112819
2.º Trimestre – O Funcionamento da Mente Humana
Bechara, A., Damasio, A. R., Damasio, H., & Anderson, S. W. (1994). Insensitivity to future consequences following damage to human prefrontal cortex. Cognition, 50(1–3), 7–15. https://doi.org/10.1016/0010-0277(94)90018-3
Cacioppo, J. T., et al. (2011). Social neuroscience and aging. Oxford University Press.
Corbetta, M., & Shulman, G. L. (2002). Control of attention in the brain. Nature Reviews Neuroscience, 3(3), 201–215. https://doi.org/10.1038/nrn755
Corkin, S. (2013). Permanent present tense. Basic Books.
Damasio, A. R. (1994). Descartes’ error. Putnam.
Koob, G. F. (2013). Reward and motivation systems. Academic Press.
Mack, A., & Rock, I. (1998). Inattentional blindness. MIT Press.
Miller, E. K., & Cohen, J. D. (2001). Prefrontal cortex function. Annual Review of Neuroscience, 24(1), 167–202. https://doi.org/10.1146/annurev.neuro.24.1.167
Squire, L. R., & Kandel, E. R. (1999). Memory: From mind to molecules. Scientific American Library.
3.º Trimestre – O Cérebro no Tempo: Envelhecimento, Tecnologia e Futuro
Cavanaugh, J. C., & Blanchard-Fields, F. (2019). Adult development and aging (8th ed.). Cengage Learning.
Erickson, K. I., & Kramer, A. F. (2009). Exercise and cognitive plasticity. British Journal of Sports Medicine, 43(1), 22–24. https://doi.org/10.1136/bjsm.2008.052498
Haugeland, J. (1985). Artificial intelligence: The very idea. MIT Press.
Kessels, R. P. C., et al. (2021). Social cognition in aging and dementia. Journal of Clinical and Experimental Neuropsychology, 43(2), 195–207.
Kurzweil, R. (2005). The singularity is near. Penguin.
Lezak, M. D., et al. (2004). Neuropsychological assessment (4th ed.). Oxford University Press.
Mateus, J. (2024). Brain–Machine Interfaces and counselling. Pandemos, 2, 1–24. https://doi.org/10.13125/pan-6484
Mateus, J., & Mateus, R. (2026). Ethical challenges of BMIs. Journal of Science Fiction and Philosophy, 8, 1–30. https://doi.org/10.5281/zenodo.18640369
Turing, A. M. (1950). Computing machinery and intelligence. Mind, 59(236), 433–460. https://doi.org/10.1093/mind/LIX.236.433
Whitbourne, S. K., & Whitbourne, S. B. (2020). Adult development and aging. Wiley.
Yuste, R., et al. (2017). Neurotechnology ethics. Nature, 551(7679), 159–163. https://doi.org/10.1038/551159a

